Em João 17, poucas horas antes de ser preso, Jesus fez a oração mais longa registrada nos Evangelhos. Ela é chamada de oração sacerdotal porque ali Jesus age como um sacerdote: alguém que fica diante de Deus levando pedidos em favor de outros. E ele ora em três direções. Por si mesmo, pelos discípulos que estavam com ele e por todas as pessoas que um dia creriam nele, incluindo você.
Foi a última oração de Jesus com os discípulos antes da cruz. Ele tinha acabado de conversar longamente com eles na última ceia, e antes de sair para o jardim onde seria preso, levantou os olhos ao céu e orou. Não é uma oração de aflição, como seria depois no Getsêmani. É uma oração de entrega e cuidado, em que Jesus coloca diante do Pai tudo o que viria pela frente.
"Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique.
Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.
Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."
- João 17:1-3
O que é a oração sacerdotal de Jesus
O nome oração sacerdotal não aparece na Bíblia. Foi a forma que a tradição cristã encontrou para descrever o que Jesus faz neste capítulo. No Antigo Testamento, o sacerdote era quem ficava entre Deus e o povo, levando os pedidos do povo até Deus. Em João 17 é exatamente isso que Jesus faz: ele se coloca diante do Pai e ora por aqueles que ama. Daí o nome.
A oração tem três partes bem marcadas. Primeiro Jesus ora por si mesmo (versículos 1 a 5). Depois pelos discípulos que estavam com ele (versículos 6 a 19). E por último por todos os que viriam a crer nele depois deles (versículos 20 a 26). Se quiser acompanhar com o texto aberto, vale a pena ler o capítulo completo de João 17.
Toda grande missão precisa de pessoas comprometidas.
Sua doação recorrente sustenta esta missão.
Me comprometoJesus ora por si mesmo (João 17:1-5)
Jesus começa orando por ele próprio, mas não da forma que esperaríamos. Ele não pede para escapar da cruz. Pede para ser glorificado nela. Quando diz "Pai, chegou a hora", a hora de que ele fala é justamente o momento da sua morte. Para Jesus, é ali que o amor de Deus fica visível ao mundo.
No meio desse pedido, Jesus deixa uma das frases mais importantes do Evangelho. Ele explica o que é a vida eterna, e a definição surpreende.
"Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."
- João 17:3
Repare que vida eterna, aqui, não é só viver para sempre depois da morte. É conhecer a Deus. É uma relação que começa agora, nesta vida, e não termina nunca. No fim dessa primeira parte, Jesus pede ao Pai que lhe devolva a glória que tinha antes de o mundo existir, lembrando que ele não era apenas um homem, mas Deus que veio até nós.
Jesus ora pelos discípulos (João 17:6-19)
Esta é a parte mais longa da oração, e a mais conhecida. Sabendo que iria partir, Jesus volta toda a atenção para o pequeno grupo de homens que tinha caminhado com ele. Ele os entrega ao cuidado do Pai, com pedidos bem concretos.
Ele reconhece que os discípulos foram dados pelo Pai
Logo no início, Jesus reconhece que os discípulos foram dados a ele pelo Pai. Eles ouviram e aceitaram a sua palavra, crendo que Jesus veio de Deus. Isso mostra a fé verdadeira desses homens e o valor da revelação que receberam.
Jesus destaca que tudo o que ele tinha vinha do Pai, e que os discípulos aceitaram isso. É uma afirmação da origem celestial da missão de Cristo e do relacionamento próximo entre ele, o Pai e os seus seguidores.
Ele intercede pelos discípulos, não pelo mundo
Jesus ora especificamente pelos discípulos, e não pelo mundo naquele momento. Ele diferencia os que são de Deus dos que não aceitaram a verdade. Os discípulos são tratados como preciosos, pois pertencem tanto ao Pai quanto a Jesus.
É um pedido de cuidado especial. Ele mostra que os discípulos eram parte essencial da missão do evangelho e os responsáveis por continuar a obra de Cristo no mundo depois que ele partisse.
Ele fala da traição de Judas
Jesus diz que guardou todos os discípulos, menos "aquele que estava destinado à perdição", referindo-se a Judas Iscariotes. Ele afirma que isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, mostrando que a traição já estava prevista no plano de Deus.
Embora Judas tenha caminhado ao lado de Jesus, o seu coração não estava de fato entregue. A menção mostra que nada fugia ao controle de Deus, e que até a traição fazia parte do cumprimento das profecias sobre a missão de Cristo. Conheça a história de Judas Iscariotes.
Ele pede unidade e proteção
Sabendo que deixaria o mundo, Jesus pediu ao Pai que protegesse os discípulos no seu nome. Ele desejava que permanecessem unidos, assim como ele e o Pai são um. Enquanto esteve com eles, Jesus os guardou, e agora confiava essa proteção ao Pai.
O pedido de unidade é uma das partes centrais da oração, pois Jesus sabia que o mundo os odiaria. Ele não pede que sejam tirados do mundo, mas que sejam guardados do Maligno enquanto vivem nele.
Ele pede a santificação dos discípulos
Jesus reconhece que os discípulos não pertencem ao mundo, assim como ele também não pertence. Por isso o mundo os rejeita. O pedido aqui é que eles sejam santificados, ou seja, separados por Deus para viver segundo a verdade, que é a sua Palavra.
"Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo."
- João 17:17-18
Jesus também se santifica por eles, preparando-se para o seu sacrifício. Essa parte aponta para a missão futura dos discípulos: permanecer no mundo como enviados de Deus, vivendo de acordo com a sua verdade.
Jesus ora por todos os que creriam nele (João 17:20-26)
Aqui a oração se abre para algo muito maior. Jesus deixa de orar apenas pelos onze homens à sua frente e passa a orar por todos os que viriam a crer nele ao longo dos séculos. É o momento em que você entra na oração de Jesus.
"Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti."
- João 17:20-21
O pedido principal é a unidade. Jesus quer que os seus seguidores sejam um, do mesmo jeito que ele e o Pai são um. E ele dá um motivo claro para isso: "para que o mundo creia que tu me enviaste". A união entre os cristãos não é só um detalhe interno da igreja. É o que mostra ao mundo que Jesus veio mesmo de Deus.
Jesus termina pedindo duas coisas. Que um dia os seus estejam com ele para ver a sua glória, e que o amor que o Pai tem por ele esteja também dentro de cada um deles. A oração fecha falando de amor, o mesmo amor que move tudo desde o começo.
O que a oração sacerdotal de Jesus nos ensina
A oração de João 17 mostra um lado de Jesus que muitas vezes esquecemos. Antes de ir para a cruz, a preocupação dele não era consigo mesmo, mas com as pessoas que ficariam. Ele orou por proteção, por unidade e por vidas separadas para Deus. E orou por você, mesmo séculos antes de você nascer.
Isso não ficou no passado. A Bíblia ensina que Jesus continua intercedendo por nós diante do Pai (Hebreus 7:25). A mesma voz que orou em João 17 ora por você hoje. Se você sente que precisa aprender a falar com Deus com essa mesma confiança, veja como orar e falar com Deus no dia a dia.
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