Yeshua (ישוע) é o nome hebraico de Jesus. Significa "o Senhor é salvação", e aponta diretamente para a missão de Cristo: salvar a humanidade do pecado. Este nome aparece tanto no Antigo como no Novo Testamento, e está no centro de uma discussão importante: devemos chamar Jesus de Yeshua?

O significado de Yeshua

A palavra Yeshua vem da raiz hebraica yasha (ישע), que significa "salvar" ou "resgatar". O nome completo, Yehoshua (יהושוע), combina o nome de Deus (YHWH) com a ideia de salvação, resultando em "o Senhor é salvação" ou "o Senhor salva".

No Antigo Testamento, este nome foi dado a Josué (em hebraico, Yehoshua), o sucessor de Moisés que conduziu Israel à Terra Prometida. Yeshua é a forma abreviada de Yehoshua, usada com mais frequência no período pós-exílio.

O anjo revelou a José o nome do Messias com uma razão concreta: o próprio nome carrega a sua missão. Jesus, Yeshua em hebraico, é aquele que salva.

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De Yeshua a Jesus: como o nome chegou até nós

O caminho do nome Yeshua até à forma "Jesus" que usamos hoje passou por três línguas, primeiro hebraico, depois grego e finalmente latim e português.

  1. Em hebraico, o nome original é Yehoshua (יהושוע), abreviado para Yeshua (ישוע).
  2. Em grego, os tradutores da Septuaginta (a versão grega do Antigo Testamento) verteram Yeshua como Iēsoûs (Ἰησοῦς). Esta forma foi usada naturalmente pelos autores do Novo Testamento ao escreverem sobre Cristo.
  3. Em latim, Iēsoûs tornou-se Iesus, que deu origem ao nosso "Jesus" em português.

Este processo é normal em qualquer língua. Da mesma forma que Moshé se tornou Moisés, e Avraham se tornou Abraão, Yeshua tornou-se Jesus nas línguas ocidentais.

Devo chamar Jesus de Yeshua?

Existe um movimento, sobretudo em círculos ligados às raízes hebraicas do cristianismo, que defende que devemos chamar Jesus pelo seu nome "original" em hebraico, Yeshua. A intenção pode ser boa, mas esta posição enfrenta dois problemas importantes.

1. No tempo de Jesus, a língua falada era o aramaico

Entre o exílio babilónico (século VI a.C.) e o tempo de Jesus, o hebraico deixou de ser a língua do dia a dia dos judeus. A língua corrente passou a ser o aramaico. Isso significa que o nome pronunciado no quotidiano de Nazaré não era necessariamente a forma hebraica clássica que encontramos no Antigo Testamento. Não temos como saber com certeza absoluta a pronúncia exata usada pela família de Jesus.

2. O Novo Testamento foi escrito em grego, por inspiração do Espírito Santo

Este é o ponto mais relevante. Os autores do Novo Testamento, inspirados pelo Espírito Santo, escreveram Iēsoûs (Jesus), não Yeshua. Todos os Evangelhos, as cartas de Paulo, a carta aos Hebreus e o Apocalipse usam consistentemente a forma grega.

O autor de Hebreus escreveu: "Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome" (Hebreus 13:15). O nome a que se refere é Jesus, Iēsoûs em grego, a forma que o próprio texto inspirado utiliza.

Chamar Jesus de Yeshua não é errado. Mas não é necessário, nem mais correto ou mais espiritual do que usar o nome Jesus. O poder do nome não está na sua pronúncia, mas na pessoa a quem ele se refere: o Filho de Deus, o Salvador da humanidade.

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