Os fariseus eram um grupo religioso judeu que viveu no tempo de Jesus. Levavam a Lei de Deus tão a sério que criaram centenas de regras extras para cumpri-la, e por isso o povo os respeitava como mestres. Mas foi com eles que Jesus teve os confrontos mais duros dos Evangelhos. Ele não condenava o cuidado deles com a Lei. Condenava a religião de fachada: aquela que cumpre regras por fora e esquece o amor e a justiça por dentro.
Entender os fariseus ajuda a entender boa parte do Novo Testamento. Eles aparecem em quase todas as páginas dos Evangelhos, quase sempre num embate com Jesus. E o que está em jogo nesses embates não é história antiga. É uma pergunta que continua de pé: o que Deus valoriza mais, a aparência ou o coração?
O que significa a palavra "fariseu"
A palavra "fariseu" vem de um termo que significa "separado". Um fariseu era, então, alguém que se separava de tudo o que considerava impuro para viver a Lei de Deus da forma mais correta possível. Não era um cargo, nem um sobrenome de família. Funcionava quase como um título de honra religiosa e apontava para uma pessoa séria, comprometida, que levava a fé a um nível acima da média.
No singular, o nome se refere a uma pessoa do grupo. No plural, fariseus, ao movimento inteiro. E, quando os Evangelhos falam de "escribas e fariseus", os escribas são os mestres da Lei, os especialistas em explicar as Escrituras. Muitos fariseus também eram escribas, e por isso os dois nomes aparecem tantas vezes lado a lado.
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Contribuir aquiQuem eram os fariseus na Bíblia
Os fariseus formavam um dos principais grupos religiosos do judaísmo na época de Jesus. Eles se separavam de tudo o que consideravam impuro para viver a Lei de Moisés do jeito mais rigoroso possível.
Não eram sacerdotes nem viviam no Templo. Estavam perto do povo comum. Ensinavam nas sinagogas, explicavam as Escrituras e davam o exemplo de uma vida dedicada a obedecer a Deus. Por isso eram admirados. Quando uma pessoa simples pensava em alguém "muito religioso", pensava num fariseu.
Eles também acreditavam em coisas que nem todos os judeus aceitavam: a ressurreição dos mortos, a existência dos anjos e a vida depois da morte. Essa fé na ressurreição vai ser importante mais à frente, porque é um ponto que os aproxima da mensagem cristã.
O que os fariseus acreditavam e praticavam
Os fariseus seguiam a Lei de Moisés, mas não paravam aí. Ao longo do tempo, acrescentaram uma quantidade enorme de regras próprias, a chamada tradição oral. A ideia parecia boa: criar regras menores para garantir que ninguém chegasse perto de quebrar a Lei principal. Era como construir uma cerca em volta de um jardim para proteger as flores.
Na prática, essa cerca foi crescendo até virar um peso. Havia regras detalhadas sobre o descanso do sábado, sobre o jejum, sobre lavar as mãos e os utensílios, sobre o dízimo até das ervas da cozinha, sobre com quem se podia comer. Cumprir tudo isso virou a marca do grupo.
O que os separava de outro grupo importante, os saduceus, era também aquilo em que acreditavam sobre o futuro. O apóstolo Paulo, que tinha sido fariseu, usou exatamente essa diferença para dividir uma reunião dos líderes judeus:
Os saduceus dizem que não há ressurreição nem anjos nem espíritos, mas os fariseus admitem todas essas coisas.
- Atos 23:8
Fariseus e saduceus: qual era a diferença
Fariseus e saduceus apareciam juntos com frequência, mas eram quase opostos.
Os saduceus eram, na maioria, sacerdotes e famílias ricas ligadas ao Templo de Jerusalém. Aceitavam apenas os cinco primeiros livros da Bíblia e não acreditavam na ressurreição, nem em anjos, nem na vida após a morte. Como tinham poder e posição, costumavam cooperar com o governo romano para manter as coisas como estavam.
Os fariseus estavam mais perto do povo, valorizavam as tradições além da Lei escrita e esperavam a ressurreição. Em quase tudo, os dois grupos discordavam.
Mesmo assim, diante de Jesus eles se uniram. Os ensinos e os milagres dele ameaçavam a autoridade dos dois lados, e o medo de perder influência falou mais alto que as diferenças. Fariseus e saduceus acabaram do mesmo lado na decisão de tirar Jesus do caminho.
Por que Jesus criticou os fariseus
Aqui está o ponto que mais confunde quem lê os Evangelhos. Se os fariseus eram tão dedicados a Deus, por que Jesus foi tão duro com eles?
A resposta é que Jesus não criticava a Lei, nem o esforço de obedecer. Ele criticava a distância entre o que eles mostravam e o que viviam por dentro. Eles tinham a aparência certa e o coração no lugar errado. A palavra que Jesus mais usou para isso foi hipocrisia, que significa fingir, representar um papel.
O confronto sobre o sábado e as tradições
Boa parte dos choques começou em situações concretas. Jesus curava pessoas no sábado, e os fariseus o acusavam de trabalhar no dia de descanso. Ele comia na casa de cobradores de impostos e pecadores, e eles se escandalizavam. Seus discípulos não cumpriam o ritual de lavar as mãos da forma tradicional, e eles reclamavam.
Em cada caso, Jesus mostrava a mesma coisa: eles tinham invertido a ordem. Colocavam a regra acima da pessoa. Para Jesus, a regra existia para servir o ser humano e levá-lo a amar a Deus, não para esmagá-lo.
Os "ais" de Mateus 23
O confronto chega ao ponto mais alto em Mateus 23, onde Jesus dirige aos escribas e fariseus, ou seja, aos mestres da Lei e ao grupo, uma série de advertências severas. Uma delas resume tudo:
Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade.
- Mateus 23:23
Eles eram capazes de medir um décimo das menores ervas do quintal para entregar a Deus, e ao mesmo tempo passavam por cima da justiça e da misericórdia. Cuidavam do pequeno e esqueciam o essencial. Logo depois, Jesus os compara a sepulcros caiados, bonitos por fora e cheios de podridão por dentro (Mateus 23:27). É a imagem mais forte da Bíblia para uma fé que é só fachada.
Nem todos os fariseus rejeitaram Jesus
Seria injusto e errado, diante da Bíblia, tratar todo fariseu como inimigo de Deus. A própria Escritura mostra exceções importantes.
Nicodemos era fariseu e membro do conselho judaico. Procurou Jesus à noite para conversar, ouviu dele que era preciso "nascer de novo" e, mais tarde, ajudou a sepultar o corpo de Jesus com as próprias mãos. O apóstolo Paulo também tinha sido fariseu, e disse isso de si mesmo sem esconder (Filipenses 3:5). Outro fariseu, Gamaliel, foi o que pediu prudência quando os líderes queriam calar os primeiros cristãos (Atos 5:34-39).
Esses nomes mostram que o problema nunca foi o rótulo "fariseu". O problema era o coração endurecido. Onde havia abertura, a mensagem de Jesus entrou, mesmo em quem tinha passado a vida inteira dentro do grupo.
A lição dos fariseus para a sua vida
A história dos fariseus é um espelho desconfortável. Eles não eram pessoas más no sentido óbvio. Eram religiosos, estudiosos, dedicados. E ainda assim Jesus os apontou como exemplo do que não fazer. Isso deveria parar qualquer pessoa de fé para pensar.
Dá para conhecer muito sobre Deus e continuar longe dele no coração. Dá para ir à igreja todo domingo e guardar rancor a semana inteira. Dá para saber versículos de cor e tratar mal quem vive na mesma casa. O perigo dos fariseus mora exatamente aí, e é um perigo de gente séria, não de gente relaxada.
Havia também o orgulho. Eles se sentiam melhores que os outros porque cumpriam mais regras, e esse orgulho os impedia de admitir o próprio erro. Foi sobre isso que Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano: um agradecia a Deus por não ser como os demais, o outro só batia no peito e pedia misericórdia. Quem voltou para casa perdoado foi o segundo (Lucas 18:9-14).
A pergunta que os fariseus deixam para você é simples e direta. A sua fé está mudando o seu coração, ou só arrumando a sua aparência? Deus não está atrás de um currículo religioso impecável. Ele quer um coração humilde, sincero, disposto a amar e a perdoar de verdade.
Veja também:
- A história de Nicodemos, o fariseu que procurou Jesus
- A história de Gamaliel (rabino e professor de Paulo)
- Jesus e Nicodemos: a conversa explicada (Estudo)
- Esboço de pregação sobre Nicodemos: é necessário nascer de novo
- A história de Caifás, o sumo sacerdote que condenou Jesus
- Personagens bíblicos: história, características e importância