Conhecido como simplesmente José do Egito, foi um dos filhos de Jacó, que possui uma das histórias mais impactantes da Bíblia. Um personagem importante, que saiu do fundo do poço para a maior posição de poder do Egito, a história de José pode ensinar muito sobre confiança em Deus e perseverança.

Nascimento e rivalidade com os irmãos

De todos os treze filhos de Jacó, José era um dos mais novos. O texto bíblico relata que José era, de fato, o filho preferido de José, ao ponto de presenteá-lo com uma bela túnica. Seus irmãos não gostavam deles, pois viam que o pai o favoritava e tratava-o de forma diferenciada.

Deus concedeu a José a capacidade de ter sonhos proféticos, que revelavam um futuro distante. O jovem contou aos seus irmãos e seu pai sonhos em que ele dominava sobre todos eles.

Para todos isso era uma afronta, como que um filho tão novo seria maior que os demais? Como que um jovem reinaria sobre os próprios pais? Tudo era um mistério, o que deixou o próprio Jacó pensativo sobre isso.

José é vendido para egípcios

Carregando consigo o desafeto dos vários irmãos, José corria perigo. Certa vez, seus irmãos estavam trabalhando no campo e seu pai, Jacó, lhe pediu para que fosse ver como estavam. Tendo sido avistado no caminho, seus irmãos planejavam matá-lo, debochando de suas visões.

O único irmão que ainda se preocupava com ele foi Rúben, que aconselhou os irmãos a não matá-lo, mas deixá-lo apenas jogado em um poço.

Assim fizeram, esperaram ele chegar, o agarraram e arrancaram a bela túnica que o pai lhe deu, depois o jogaram em um poço vazio. José ficou no poço por algum tempo, pois seus irmãos ainda se assentaram para comer.

Quando o grupo viu uma caravana de ismaelitas, Judá pensou que seria melhor vender o irmão do que matá-lo, pois dessa forma ainda iriam faturar em cima dele. E, dessa forma, venderam o irmão aos ismaelitas, que por sua vez, venderam José a Potifar, o oficial do faraó do Egito e capitão da guarda.

Rúben, que salvou a vida de José, estava longe do grupo quando venderam o pequeno irmão. Quando ele voltou ao poço para resgatá-lo, viu que voltou muito tarde e ele já não estava mais lá. Lamentou profundamente.

Os irmãos ainda armaram uma grande desculpa, pegaram a túnica de José, mancharam de sangue de animal e devolveram a Jacó. Quando o pai viu que aquela era a túnica de seu amado filho José, entrou em profundo luto por ele, a ponto de ninguém conseguir consolá-lo.

A bênção sobre José e o assédio

Após Potifar ter comprado José, ele logo colocou-o para trabalhar em casa. Tudo que José fazia prosperava, de forma que foi morar na casa de Potifar, que o oficial lhe concedeu a administração de toda casa e ainda, posteriormente, lhe deu a administração de toda a sua terra.

Como José era abençoado por Deus, e era bonito e de boa aparência, com o passar o tempo a mulher de Potifar se viu atraída pelo jovem. Certo dia, ela o convidou a deitar-se com ela, mas José respondeu:

Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, en­tão, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?
- Gênesis 39-8-9

E embora a moça lhe procurasse e insistisse nesse pecado, José ainda recusava e evitava a mulher por onde andava.

Até que certo dia, vendo que nenhum outro servo, além de José, estava em casa, a mulher de Potifar avançou sobre José, o agarrou e insistiu mais uma vez que ficassem juntos. Nesse momento, José escapa da mulher e foge de casa, deixando seu manto para trás. A mulher então pega o manto, e conta para os empregados e o marido que José tinha lhe assediado.

Depois disso, Potifar mandou que prendessem o jovem. Na cadeia, porém, Deus continuou abençoando José, lhe concedeu a simpatia do carcereiro. Esse carcereiro, ao ver que José era especial, lhe concedeu o cargo de chefe dos prisioneiros, sendo ele responsável por tudo que acontecia por lá.

José interpreta os sonhos de dois prisioneiros

Estando José ainda preso, dois novos prisioneiros foram mandados para lá pelo próprio faraó. Eram eles o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.

Os dois novos prisioneiros tiveram sonhos misteriosos, que não conseguiam entender. José, ao ver essa situação, disse-lhes para que contassem os sonhos. José os ouviu, e deu-lhes a interpretação de cada sonho, mostrou que o chefe dos copeiros voltaria a sua posição de honra, ao lado do rei. Por outro lado, prenunciou que o chefe dos padeiros seria enforcado em uma árvore.

A única coisa que José pediu em favor ao chefe dos copeiros, era que se lembrasse dele, e o defendesse diante do faraó, uma vez que ele era inocente. Além de ter sido levado a força ao Egito, também foi falsamente acusado pela mulher de Potifar.

E apesar desse pedido, o chefe dos copeiros esqueceu-se de José.

José conhece o faraó

Mais adiante, o faraó passou a ter sonhos estranhos. Ele chamou todos os magos e sábios do Egito, mas ninguém conseguia lhe dizer o que seus sonhos significavam. Foi nesse momento que o chefe dos copeiros se lembrou de José, que foi chamado na presença do faraó.

José logo se aprontou para ver o rei do Egito e ouvir seus sonhos. Após contá-lo seu sonho, o faraó se espantou com a capacidade de José, que deu uma interpretação exata de seus sonhos. Acontece que o Egito passaria por um grande período de fome, era isso que os sonhos diziam.

José aconselhou o faraó a eleger um governador, alguém que fosse capaz de coordenar e supervisionar a produção da terra, de forma que o Egito fizesse um grande estoque, para que não passassem fome no futuro.

Diante de conselhos tão bons e de ver que o Senhor estava com José, o faraó o colocou nessa posição de poder sugerida. Ele passou a ser o governador do Egito, o homem mais poderoso daquele lugar, abaixo apenas do próprio faraó.

Sua vida mudou completamente a partir desse momento, passou a viver no luxo, vestindo linho fino, corrente e o anel-selo do faraó. Recebeu do rei, ainda, uma mulher, filha do sacerdote.

José reencontra seus irmãos

Diante da fome prevista por José, os Jacó mandou dez de seus filhos descerem ao Egito para comprarem trigo para sobreviverem. Benjamim, porém, ficou com o pai.

Quando os filhos de Jacó chegaram no Egito, José os encontrou. O novo governador os reconheceu, mas os irmãos não reconheceram José. Dessa forma, José os manipulou, de forma que fossem buscar Benjamim para que um deles saísse da cadeia.

Na volta para Canaã, José mandou que enchessem os jumentos de trigo e devolveu-lhes a prata que usaram para pagar. Diante disso, os irmãos pensaram que seriam acusados, novamente, de causarem problemas ao Egito. Sendo assim, eles retornaram ao Egito com Benjamim, presentes, toda a prata que receberam de volta e mais o dobro, com medo de José.

Mas ao chegarem no Egito novamente, foram muito bem recepcionados, recebendo um grande almoço na casa de José. Este, por sua vez, ficou muito emocionado ao reencontrar seu irmão mais novo, Benjamim, e teve que sair de onde estavam para chorar. Até então, nenhum dos irmãos reconheceu José.

A verdade é revelada

Após mais um truque para enganar seus irmãos, fazendo-lhes prometer Benjamim como escravo, José revela a verdade aos seus irmãos! Eles ficaram perplexos com essa notícia, e com o que Deus tinha feito através da vida de José.

Dessa forma, José instrui que Jacó passe a morar no Egito, onde não há fome. O próprio faraó intervém na ação de José, auxiliando-os para a imigração de Canaã para o Egito. Foram providenciados carruagens, mantimentos e uma terra para se estabelecerem. Jacó ouviu toda a história e seu espírito ficou revigorado.

Quando Jacó chega ao Egito, José corre em sua direção, abraça-o e chora de alegria. Jacó também se alegra muito, a ponto de dizer que poderia morrer em paz. Jacó foi levado para conhecer o faraó e em seguida recebeu as melhores terras do Egito.

A fome se alastrou fortemente e José foi sagaz na administração do Egito. Vendeu o trigo estocado em troca de toda a prata, de todo o gado, de toda a terra e de todas as pessoas, tornando o faraó ainda mais poderoso do que já era.

O tempo passou, Jacó estava para morrer, abençoou todos os seus filhos e foi sepultado. E por fim, José morreu com cento e dez anos de idade.

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