Davi teve oito esposas segundo a Bíblia: Mical, Ainoã, Abigail, Maaca, Hagite, Abital, Eglá e Bate-Seba. Além delas, teve várias concubinas, mulheres ligadas ao rei sem o reconhecimento legal de esposa. Algumas entraram na vida de Davi por amor, outras por aliança política, e uma delas, Bate-Seba, entrou por um pecado que marcou o reinado dele para sempre.
A primeira foi Mical, filha do rei Saul, que o amou e o ajudou a fugir da morte. Depois veio Abigail, viúva de Nabal, que entrou na história por ter impedido Davi de cometer uma chacina. Ainoã, Maaca, Hagite, Abital e Eglá entraram numa fase em que Davi se firmava como rei em Hebrom, e os casamentos eram tanto laços pessoais quanto acordos políticos. Bate-Seba chegou já no auge do reinado, quando Davi tinha tudo a perder, e mesmo assim tomou o que não lhe pertencia.
As concubinas tinham um lugar diferente. Viviam com o rei, podiam dar filhos a ele, mas não tinham o reconhecimento legal das esposas. A Bíblia conta que Davi tomou mais concubinas depois de se mudar para Jerusalém, sem dizer quantas. E conta em detalhe o caso de dez delas, deixadas no palácio quando Davi fugiu da revolta de Absalão, com um destino trágico.
A Lei dada a Israel proibia que o rei tivesse muitas mulheres, justamente para o coração dele não se dividir. Davi ignorou essa orientação, e as consequências apareceram na geração seguinte: ciúme entre filhos de mães diferentes, violência dentro de casa, conspirações pelo trono. E, no entanto, foi de Bate-Seba que nasceu Salomão, e foi pela linhagem de Salomão que veio Jesus Cristo. Deus não apagou o erro de Davi, mas trabalhou a partir dele.
Quem foram as 8 esposas de Davi
1. Mical (filha do rei Saul)
Mical foi a primeira esposa de Davi. É a única mulher dele de quem a Bíblia diz, antes do casamento, que o amava.
Mas Mical, a outra filha de Saul amava a Davi; o que, sendo anunciado a Saul, pareceu isto bom aos seus olhos.
- 1 Samuel 18:20 ACF
O rei Saul, ao perceber esse amor, viu uma oportunidade. Usou a filha como isca e exigiu que Davi entregasse cem prepúcios de filisteus como preço pelo casamento. Era, na prática, uma missão suicida. Davi foi, cumpriu o pedido e se casou com Mical.
A relação, porém, foi marcada pela tragédia. Quando Saul tentou matar Davi, foi Mical quem o ajudou a fugir pela janela. Mas, durante os anos de fuga de Davi, Saul deu Mical a outro homem, Paltiel, filho de Laís. Anos depois, quando Davi se tornou rei sobre Judá, exigiu Mical de volta. Paltiel a seguiu chorando até Baurim, até ser mandado embora.
O encontro final entre Davi e Mical foi triste. Quando Davi dançou diante da arca da aliança, Mical o viu da janela e o desprezou no coração (2 Samuel 6:16). Depois o confrontou com sarcasmo. A resposta de Davi foi dura. E o texto bíblico encerra: "Mical, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte" (2 Samuel 6:23). Uma vida que começou com amor e terminou em amargura e silêncio.
Para a história completa, veja Mical, a primeira esposa de Davi.
2. Ainoã de Jezreel
Ainoã, de Jezreel, foi a segunda esposa do rei Davi. Aparece pela primeira vez em 1 Samuel 25, sem história prévia e sem contexto da união. A brevidade do versículo já diz muito sobre como esses casamentos funcionavam:
Davi também casou-se com Ainoã, de Jezreel; as duas foram suas mulheres.
- 1 Samuel 25:43
Ainoã esteve com Davi durante os anos de exílio em Ziclague. Foi capturada pelos amalequitas quando eles atacaram a cidade (1 Samuel 30:5). Davi a resgatou. Ela o acompanhou até Hebrom, onde Davi foi ungido rei sobre Judá. Ali, ela deu a ele seu filho mais velho: Amnom.
Amnom é um nome que volta a aparecer mais tarde na história de Davi, mas de forma negativa. Foi ele quem violou Tamar, irmã de Absalão, e desencadeou uma cadeia de tragédias na família real.
3. Abigail (viúva de Nabal)
Abigail é, entre todas as mulheres de Davi, aquela que a Bíblia descreve com mais admiração. Tinha bom entendimento e formosa aparência. Seu marido, Nabal, era o oposto: rude, insensato e ingrato.
Esse homem se chamava Nabal, e sua mulher se chamava Abigail. Ela era inteligente e bonita; mas o marido, descendente de Calebe, era rude e mau.
- 1 Samuel 25:3
Quando Davi pediu provisões a Nabal e foi rejeitado com desprezo, avançou com 400 homens armados, decidido a destruir tudo. Foi Abigail quem o impediu.
Sem dizer nada ao marido, ela saiu ao encontro de Davi com pão, vinho, carne, figos e uvas. E então falou. Seu discurso é um dos mais notáveis da Bíblia: humilde, sábio, cheio de fé. Ela convenceu Davi a não derramar sangue por causa de um homem como Nabal. Davi reconheceu, naquele encontro, a mão de Deus agindo por meio dela.
Dez dias depois, Nabal morreu. Davi enviou mensageiros para pedi-la em casamento, e Abigail aceitou. De Abigail nasceu Quileabe, também chamado Daniel, segundo filho de Davi.
O encontro com Davi e o discurso de Abigail em detalhe: história de Abigail.
4. Maaca (filha de Talmai, rei de Gesur)
O casamento com Maaca foi um casamento político. Gesur era um reino ao norte de Israel, na região da atual Síria. Casar com a filha do rei era uma forma de selar uma aliança estratégica.
Maaca aparece em 2 Samuel 3:3 apenas como "filha de Talmai, rei de Gesur". Não há mais detalhes sobre ela na Bíblia. Mas seu filho mudou a história da família de Davi: foi Absalão, o filho mais amado e mais destruidor que Davi teve.
Quando Absalão matou Amnom e precisou fugir, foi justamente para Gesur que correu, a terra do avô materno. A aliança que o casamento devia garantir acabou servindo de refúgio ao filho rebelde.
Maaca também teve uma filha: Tamar, violada pelo meio-irmão Amnom. Esse episódio desencadeou toda a espiral de violência que marcou os últimos anos do reinado de Davi.
5. Hagite
Hagite é mencionada apenas como mãe de Adonias, quarto filho de Davi. Seu filho Adonias tentou tomar o trono para si antes da morte do pai, sem autorização:
Ora, Adonias, cuja mãe se chamava Hagite, tomou a dianteira e disse: "Eu serei o rei". Providenciou uma carruagem e cavalos, além de cinquenta homens para correrem à sua frente.
- 1 Reis 1:5
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Fazer ofertaA tentativa falhou e Salomão foi ungido rei. Adonias acabou executado depois de pedir, por intermédio de Bate-Seba, que lhe entregassem Abisague, a jovem que cuidava de Davi na velhice. O pedido foi lido como mais uma tentativa de tomar o poder.
6. Abital
Abital é mencionada como mãe de Sefatias, quinto filho de Davi, nascido em Hebrom:
o quinto, Sefatias, de Abital;
- 2 Samuel 3:4b
Não há mais nenhuma outra referência a ela nas Escrituras. Como Hagite, sua presença no texto serve sobretudo para registrar a linhagem de Davi.
7. Eglá
Eglá é descrita de uma forma curiosa: "Eglá, mulher de Davi" (2 Samuel 3:5, ARA). É o único caso em que a Bíblia usa essa expressão para diferenciar uma das esposas.
Alguns estudiosos sugerem que ela podia ser a esposa favorita naquele momento. Outros acham que havia algo na sua situação que precisava de ser esclarecido. A Bíblia não diz, e qualquer leitura para além disso é especulação. O que está registrado é o nome, e o filho: Itreão, o sexto nascido em Hebrom.
8. Bate-Seba
Bate-Seba é a esposa de Davi que mais espaço ocupa na narrativa. E por razões que não fazem honra ao rei. Davi a viu do terraço do palácio enquanto ela se banhava. Soube que era casada com Urias, um de seus soldados mais fiéis. Mandou buscá-la mesmo assim, e ela engravidou (2 Samuel 11:2-5).
O que veio depois foi um dos episódios mais sombrios da vida de Davi. Tentou encobrir o adultério fazendo Urias voltar para casa. Urias se recusou a entrar, por lealdade aos companheiros em combate. Então Davi ordenou que o colocassem na linha de frente da batalha, onde os combates eram mais intensos, e mandou os outros recuarem. Urias morreu. Davi tomou Bate-Seba como esposa.
O profeta Natã confrontou Davi com uma parábola. E Davi reconheceu seu pecado. A criança nascida do adultério morreu. Mas Deus não abandonou Bate-Seba. De seu casamento com Davi nasceu Salomão, herdeiro do trono, o homem que construiu o templo de Deus em Jerusalém. E foi por intervenção de Bate-Seba que Salomão foi ungido rei, quando ela falou com Davi em seus últimos dias.
Saiba mais sobre a história de Bate-Seba.
As concubinas de Davi
Além das oito esposas, Davi teve concubinas. Na antiguidade, as concubinas tinham um status inferior ao das esposas: viviam com o rei, podiam ter filhos com ele, mas não recebiam o mesmo reconhecimento legal ou social. A Bíblia menciona duas situações específicas que envolvem concubinas ligadas à casa de Davi.
Rispa
Rispa, filha de Aiá, foi concubina do rei Saul antes de Davi. Depois da morte de Saul, Abner, general do exército, foi acusado por Isbosete, filho de Saul, de se relacionar com ela (2 Samuel 3:7). Em Israel, isso era entendido como uma tentativa de tomar o poder do reino.
Rispa volta a aparecer mais tarde em um dos momentos mais tocantes da Bíblia. Após a morte dos filhos de Saul, ela ficou dia e noite sobre os corpos deles, sem deixar que fossem devorados pelas aves ou pelos animais, até que Davi mandou que fossem sepultados com dignidade (2 Samuel 21:10-14).
Saiba mais sobre a história de Rispa.
As 10 concubinas que Davi deixou em Jerusalém
As dez concubinas que Davi deixou em Jerusalém quando fugiu da revolta de Absalão tiveram um destino trágico.
O rei partiu, seguido por todos os de sua família; deixou, porém, dez concubinas para tomarem conta do palácio.
- 2 Samuel 15:16
Absalão, seguindo o conselho de Aitofel, se relacionou com elas publicamente no terraço do palácio (2 Samuel 16:21-22). Era uma declaração política extrema: quem toma as mulheres do rei está dizendo que tomou o lugar dele.
Quando Davi voltou a Jerusalém, essas dez mulheres foram colocadas sob custódia. Ele as sustentou, mas não voltou a ter relações com elas. Ficaram "como viúvas de marido vivo" até o dia em que morreram (2 Samuel 20:3).
O número total de concubinas de Davi não é especificado na Bíblia. 2 Samuel 5:13 diz que ele tomou mais concubinas e esposas em Jerusalém. Em 1 Crônicas 3:9 menciona filhos com as concubinas, sem precisar quantas eram.
Davi pecou ao ter tantas esposas?
Sim. E isso teve consequências graves para sua vida e seu reinado. Muito antes de Davi ser rei, Deus já tinha dado orientações claras sobre como os reis de Israel deveriam viver. Em Deuteronômio 17:17, a Lei era explícita:
Também não poderá ter muitas mulheres, para que o seu coração não se desvie.
- Deuteronômio 17:17
Não era uma sugestão. Era uma proibição. E Davi a ignorou.
Algumas pessoas argumentam que a poligamia era culturalmente aceita na antiguidade, e isso é verdade. Mas o argumento perde força quando lembramos uma coisa. Essa proibição em Deuteronômio 17 foi dada justamente porque os reis de Israel não deveriam agir como os outros reis. O padrão era diferente.
Deus sabia que as alianças políticas seladas por casamentos trariam influências espirituais perigosas. E sabia que ter muitas mulheres dividiria a atenção e o coração do rei.
As consequências na família de Davi foram devastadoras e aparecem ao longo de 2 Samuel:
- Amnom, filho de Ainoã, violou Tamar, filha de Maaca, sua meia-irmã.
- Absalão, irmão de Tamar, matou Amnom e se rebelou contra o pai.
- A rivalidade entre os filhos de mães diferentes alimentou conspirações pelo trono até os últimos dias de Davi.
- As dez concubinas foram vítimas das consequências da revolta de Absalão.
O profeta Natã, ao confrontar Davi pelo caso de Bate-Seba, disse algo revelador: "Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e te livrei das mãos de Saul. Dei-te a casa do teu senhor e as mulheres do teu senhor em teu braço" (2 Samuel 12:7-8, ARA).
Deus reconhecia o que Davi já tinha. No caso dele, a questão não era a poligamia em si, mas a ganância que o levou a tomar o que não lhe pertencia, a mulher de um homem fiel. E a eliminar esse homem para encobrir o pecado. A Bíblia não suaviza isso. Davi pecou, e as consequências foram duras.
O que aprendemos com as mulheres de Davi
Olhar para as mulheres de Davi é olhar para histórias de dor que não precisavam ter acontecido.
Mical amou Davi antes de se casar e terminou seus dias com amargura e sem filhos. Abigail ficou viúva de um marido arrogante para entrar em uma casa já cheia de rivalidades. Bate-Seba perdeu o marido pela mão do próprio rei, perdeu o filho fruto do adultério e viveu o resto da vida na sombra de uma história que começou com uma injustiça.
A poligamia de Davi foi causa de muita dor. Os filhos de mães diferentes disputavam posição e reconhecimento. As alianças políticas criadas pelos casamentos produziram tensões que o reino não conseguiu resistir. O coração que devia pertencer a Deus foi dividido entre paixões e relacionamentos conturbados. E, no entanto, Deus não desistiu de Davi.
Não há uma história simples em relação às mulheres de Davi. Salomão nasceu de Bate-Seba, a esposa que Davi tomou pelo adultério. E foi Salomão quem construiu o templo de Deus em Jerusalém. Mais do que isso: foi por meio de Bate-Seba que a linhagem de Jesus Cristo passou. Mateus 1:6 registra sem rodeios: "A Davi nasceu Salomão, da que fora mulher de Urias" (Mateus 1:6, ARA). Não diz "Bate-Seba". Diz "da que fora mulher de Urias", para que ninguém esquecesse o contexto. Deus não apagou o passado, mas trabalhou a partir dele. Isso não significou que Deus aprovou o que Davi fez.
A poligamia nunca foi apresentada como o ideal de Deus para o casamento. Desde o princípio, em Gênesis, o modelo é a união de um homem e uma mulher, que se tornam "uma só carne" (Gênesis 2:24). Ao longo da Bíblia, a poligamia aparece sempre ligada a ciúmes e disputas familiares.
No Novo Testamento, Paulo ensina que os líderes da igreja devem ser "marido de uma só mulher" (1 Timóteo 3:2). É a confirmação de um padrão que atravessa toda a Bíblia: o casamento funciona quando há um homem e uma mulher comprometidos, e qualquer arranjo diferente cria as fissuras que se viram na vida de Davi.
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