O povo de Israel ficou 40 anos no deserto. A distância entre o Egito e a Terra Prometida se vencia em poucas semanas, mas o povo teve medo de entrar na terra e se recusou a confiar em Deus. Por causa dessa recusa, aquela geração passou o resto da vida caminhando pelo deserto, até que uma nova geração pudesse ocupar a terra.
Não foi o caminho que atrasou o povo, foi a desconfiança. Quando chegaram bem perto do destino, os israelitas se assustaram com os desafios que viram pela frente e chegaram a dizer que preferiam ter ficado no Egito. Deus respondeu marcando um tempo de espera: um ano para cada dia em que a terra tinha sido explorada.
Por que foram 40 anos e não poucas semanas
A viagem em si era curta. A própria Bíblia registra que o trajeto entre a região do Sinai e a fronteira da terra se fazia em pouco mais de uma semana:
Em onze dias se vai de Horebe a Cades-Barneia pelo caminho dos montes de Seir.
- Deuteronômio 1:2
Se dependesse só da distância, o povo teria chegado depressa. Mas em Cades, já na porta da terra, os israelitas se recusaram a entrar. Deus então determinou quanto tempo passariam no deserto, e a medida foi simbólica: um ano para cada um dos dias em que a terra tinha sido observada.
Durante quarenta anos vocês sofrerão a consequência dos seus pecados e experimentarão a minha rejeição; cada ano corresponderá a cada um dos quarenta dias em que vocês observaram a terra.
- Números 14:34
Ou seja, os 40 anos não foram um problema de mapa. Foram a resposta de Deus à falta de confiança do povo.
O que aconteceu em Cades: o medo e o desejo de voltar ao Egito
Antes de entrar na terra, Moisés enviou doze homens para explorá-la. Eles voltaram depois de 40 dias e confirmaram que a terra era boa, cheia de frutos, onde havia "leite e mel com fartura" (Números 13:27). Até aí, todos concordavam.
O problema veio no relatório. Dez dos doze espalharam medo pelo acampamento:
Não podemos atacar aquele povo; é mais forte do que nós.
- Números 13:31
Só Calebe e Josué pensaram diferente e pediram ao povo que confiasse em Deus. Mas o medo já tinha vencido. Naquela mesma noite, o povo entrou em desespero e começou a desejar de volta a vida que tinha deixado para trás:
Todos os israelitas queixaram-se contra Moisés e contra Arão, e toda a comunidade lhes disse: "Quem dera tivéssemos morrido no Egito! Ou neste deserto!"
- Números 14:2
Conhecer a Palavra é o primeiro passo.
Torne a Bíblia acessível para todos com a sua oferta.
Fazer ofertaA queixa logo virou plano. Em vez de seguir em frente, quiseram voltar atrás:
E disseram uns aos outros: "Escolheremos um chefe e voltaremos para o Egito!"
- Números 14:4
É aqui que está o coração da história. O povo preferiu a escravidão que já conhecia à promessa que exigia fé. Foi essa escolha, e não o caminho, que custou os 40 anos no deserto e fez com que aquela geração não entrasse na Terra Prometida.
Quantos saíram do Egito e quantos chegaram à Terra Prometida
Quando deixaram o Egito, os israelitas eram uma multidão. A Bíblia dá um número:
Os israelitas foram de Ramessés até Sucote. Havia cerca de seiscentos mil homens a pé, além de mulheres e crianças.
- Êxodo 12:37
Esses seiscentos mil contavam apenas os homens em idade de lutar. Somando mulheres e crianças, as estimativas mais comuns falam em mais de um milhão de pessoas, ainda que a Bíblia não registre o total fechado.
O contraste com o fim da história é o que impressiona. De toda aquela geração adulta que saiu do Egito, apenas dois entraram na terra: Calebe e Josué (Números 14:30). Os demais morreram ao longo dos 40 anos no deserto. Quem entrou foram os filhos, a geração seguinte, que cresceu durante a caminhada.
O que o deserto ensinou
O deserto não foi só castigo. Foi também escola. Durante 40 anos, o povo aprendeu na prática a depender de Deus todos os dias, desde a comida até o caminho a seguir. O tempo que parecia perdido estava, na verdade, formando um povo pronto para viver a promessa.
Essa história fala de perto com a vida de qualquer pessoa. Muitas das nossas esperas mais longas não têm a ver com distância, e sim com confiança. Às vezes Deus demora não porque o caminho é difícil, mas porque ainda estamos aprendendo a segui-lo sem medo.
Para entender melhor: