A Grande Tribulação é um período futuro de intensa aflição e juízo sobre a Terra, que a Bíblia anuncia para os dias que antecedem a volta de Cristo. A palavra "tribulação" quer dizer sofrimento ou angústia, e aparece em textos proféticos como o discurso de Jesus no Monte das Oliveiras, em Mateus 24, e no livro de Apocalipse.
Jesus falou desse tempo de forma direta:
Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.
- Mateus 24:21
Vale notar que a Bíblia usa a palavra "tribulação" em mais de um sentido. Quando Jesus disse "neste mundo vocês terão aflições" (João 16:33), falava das dificuldades comuns da vida cristã, e não do período do fim. Já em Mateus 24:21 o termo aponta para um tempo específico de juízo sobre a Terra, que virá antes do retorno de Cristo. É esse o assunto deste estudo.
O quadro mais completo desse período está em Apocalipse, o último livro da Bíblia, escrito pelo apóstolo João em forma de visão. Uma dessas visões mostra uma multidão que atravessou esse tempo de sofrimento e permaneceu firme na fé:
Respondi: Senhor, tu o sabes. E ele disse: "Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro."
- Apocalipse 7:14
Dessa passagem tiramos lições que valem para qualquer tempo. Deus é justo e um dia trará juízo sobre o mal. Mesmo em meio à dor, Ele sustenta quem confia Nele. E o cristão é chamado a viver preparado, firme na fé, esperando a volta de Cristo. Para quem está em Cristo, a Grande Tribulação não é motivo de medo, mas um chamado à perseverança, à santidade e à esperança.
Como os cristãos entendem os 7 anos de tribulação
A partir daqui, este estudo descreve a sequência de acontecimentos como boa parte dos cristãos a compreende. Antes de seguir, vale saber que existe mais de uma leitura evangélica sobre o tema, como você verá na seção "A igreja vai passar pela Grande Tribulação". A descrição dos sete anos apresentada aqui segue a interpretação chamada pré-tribulacionista, a mais difundida. Ela lê a profecia das setenta semanas de Daniel 9 como um período de sete anos ainda futuro e entende o arrebatamento da Igreja como um evento separado da segunda vinda. Outros cristãos leem essas mesmas passagens de forma mais simbólica e chegam a conclusões diferentes.
Nessa leitura, os sete anos começam depois do arrebatamento da Igreja (1 Tessalonicenses 4:16-17) e se dividem em duas metades de três anos e meio cada, com base em Daniel 9:27 e Apocalipse 11:2-3.
Primeira metade (3 anos e meio)
Um líder mundial, o Anticristo, faria um acordo de paz com Israel (Daniel 9:27). Seria um tempo de aparente estabilidade, mas essa paz seria uma ilusão que enganaria muitos (1 Tessalonicenses 5:3). Enquanto isso, os juízos de Deus começariam a cair sobre a Terra: em Apocalipse 6, a abertura dos sete selos traz guerras, fome, peste e morte. Muitas pessoas se converteriam a Cristo nesse período, mas enfrentariam perseguição (Apocalipse 6:9-11). Ainda assim, a Palavra de Deus continuaria a ser pregada, por duas testemunhas e por 144 mil judeus selados (Apocalipse 7 e 11).
Segunda metade (a Grande Tribulação propriamente dita)
No meio dos sete anos, o Anticristo quebraria o acordo e se proclamaria deus no templo, ato que a Bíblia chama de "abominação da desolação" (2 Tessalonicenses 2:3-4; Mateus 24:15). A partir daí os juízos se tornariam mais intensos: as trombetas e as taças de Apocalipse 8 a 16 trazem catástrofes sobre o mundo. O governo do Anticristo exigiria adoração e perseguiria os fiéis (Apocalipse 13). Tudo caminharia para a batalha do Armagedom, quando Jesus voltaria, derrotaria o Anticristo e daria início ao seu Reino (Apocalipse 19:11-21).
Mesmo nesse quadro de juízo, a Bíblia mostra a misericórdia de Deus, que continua chamando as pessoas ao arrependimento antes do fim.
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Quero transformar vidasQuando terá início a Grande Tribulação
Na leitura pré-tribulacionista, a Grande Tribulação começa depois do arrebatamento da Igreja, o momento em que os cristãos seriam levados para estar com Jesus (1 Tessalonicenses 4:16-17; João 14:1-3). Esse evento marcaria o início da contagem final.
Em seguida, surgiria o Anticristo e o acordo de paz de sete anos com Israel (Daniel 9:27). Durante os primeiros três anos e meio haveria uma paz aparente. No meio do período, o Anticristo se colocaria no templo exigindo adoração, a "abominação da desolação" (Mateus 24:15; 2 Tessalonicenses 2:3-4), e teria início a fase mais dura, a Grande Tribulação propriamente dita, que prepararia o caminho para a volta de Cristo.
A igreja vai passar pela Grande Tribulação
Se a Igreja passará ou não pela Grande Tribulação é uma questão em que cristãos sinceros e fiéis à Bíblia chegam a respostas diferentes. Há três linhas principais de interpretação, e é útil conhecer cada uma.
O pré-tribulacionismo afirma que a Igreja será arrebatada antes do início da tribulação. Seus defensores entendem que Deus livrará os crentes desse tempo de juízo, que estaria voltado principalmente para Israel e para os que rejeitaram a Deus. É a visão que estrutura a descrição dos sete anos acima.
O meso-tribulacionismo sustenta que o arrebatamento acontecerá no meio dos sete anos, antes da fase mais severa dos juízos, que viria depois da "abominação da desolação".
O pós-tribulacionismo entende que a Igreja atravessará toda a tribulação e será arrebatada no final, no momento da segunda vinda de Cristo (Mateus 24:29-31). Os cristãos seriam guardados por Deus mesmo em meio ao sofrimento.
Cada posição se apoia em textos e argumentos bíblicos. Apesar das diferenças, todas concordam no essencial: Cristo voltará, e os que são dele estarão com Ele para sempre. Mais importante do que acertar a cronologia é viver preparado, com uma fé firme em Jesus.
O que vai acontecer depois da Grande Tribulação
Seguindo essa mesma leitura, depois da Grande Tribulação vem a segunda vinda de Jesus à Terra. Ele voltará com poder e glória para derrotar o Anticristo, o falso profeta e todos os que se opuseram a Deus (Apocalipse 19:11-21), na batalha final conhecida como Armagedom. Vencidos os inimigos, Cristo estabeleceria o seu Reino de mil anos (Apocalipse 20:1-6).
Nesse período, Satanás ficaria preso e sem poder para enganar as nações (Apocalipse 20:2-3). Cristo reinaria com justiça, e os salvos, incluindo os que morreram durante a tribulação, reinariam com Ele (Apocalipse 20:4). Seria um tempo de paz e de adoração verdadeira. Ao fim dos mil anos, Satanás seria solto por um breve tempo, tornaria a enganar as nações e seria derrotado de vez, lançado no lago de fogo (Apocalipse 20:7-10).
Por fim, aconteceria o Juízo Final. Todos os mortos comparecem diante do trono de Deus para serem julgados (Apocalipse 20:11-15). Os que não têm o nome no Livro da Vida são condenados, e Deus faz um novo céu e uma nova terra para os salvos (Apocalipse 21:1-4). É nessa esperança que o cristão descansa: por mais dura que seja a tribulação, a última palavra é de vitória e redenção para quem confia em Jesus.
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