Salomão teve 1000 mulheres: 700 esposas, princesas e 300 concubinas, segundo 1 Reis 11:3. As concubinas eram mulheres com quem ele se relacionava, mas sem um casamento oficial. Já as esposas tinham um papel mais amplo: muitos desses casamentos não eram por afeto, mas feitos por acordos políticos, para criar alianças com outros reinos.
Salomão se casou com mulheres de vários povos, como egípcios, moabitas, amonitas, edomitas, sidônios e heteus. Assim, fortalecia acordos e mantinha a paz com nações vizinhas. O problema é que essas mulheres trouxeram consigo as suas crenças e costumes religiosos. Muitas adoravam outros deuses e praticavam rituais que iam contra a Lei de Deus dada a Israel.
Com o passar do tempo, já idoso, Salomão acabou sendo influenciado por essas mulheres. O seu coração afastou-se de Deus, e ele passou a seguir outros deuses. Algo que as Escrituras já alertavam aos reis sobre o perigo de muitas mulheres.
Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração não se desvie; nem prata nem ouro multiplicará muito para si.
- Deuteronômio 17:17 ACF
O comportamento de Salomão desagradou profundamente a Deus, que antes lhe tinha dado sabedoria e prosperidade. Como consequência, Deus decidiu que, depois da morte de Salomão, o seu reino seria dividido.
Quem eram as mulheres de Salomão
A Bíblia não apresenta o nome de todas as mulheres de Salomão, mas menciona algumas. A primeira esposa citada foi a filha do Faraó, uma princesa egípcia.
Salomão aliou-se ao faraó, rei do Egito, casando-se com a filha dele. Ele a trouxe à Cidade de Davi até terminar a construção do seu palácio e do templo do Senhor, e do muro em torno de Jerusalém.
- 1 Reis 3:1 NVI
Esse casamento tinha um objetivo claro: firmar uma aliança com um dos reinos mais poderosos da época. Desde o início do seu reinado, Salomão usou o casamento como estratégia política.
Depois disso, Salomão passou a se casar com mulheres de vários povos vizinhos. A Bíblia menciona moabitas, amonitas, edomitas, sidônios e heteus. Esses povos tinham relações antigas com Israel, marcadas tanto por conflitos quanto por acordos. Cada casamento ajudava a manter a paz e fortalecer alianças.
E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e heteias,
Das nações de que o Senhor tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira seguramente perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor.
- 1 Reis 11:1-2 ACF
Duas mulheres são citadas pelo nome. Naamá, uma amonita, foi a mãe de Roboão (1 Reis 14:21), que herdou o trono após Salomão e governou quando o reino foi dividido.
A outra é a Rainha de Sabá (1 Reis 10:1-13), que visitou Salomão para comprovar a sua sabedoria. A Bíblia não diz que houve casamento entre eles, apenas descreve a visita como um encontro diplomático. A ideia de que eles tiveram um filho vem de tradições posteriores, mas não faz parte do relato bíblico.
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Quero transformar vidasPor que Salomão se casou com tantas mulheres
Na antiguidade, o casamento de um rei não era algo particular; era uma forma de fazer política. Quando dois reinos queriam garantir paz entre si, o acordo muitas vezes era selado com um casamento. A filha de um rei passava a viver no outro reino como sinal de compromisso. Por isso, quanto mais alianças um rei fazia, mais esposas ele tinha. No caso de Salomão, as suas 700 esposas princesas representavam muitos acordos com os povos vizinhos.
Esse número pode parecer exagerado hoje, mas não era algo incomum naquele tempo. Faraós egípcios, reis assírios e reis hititas tinham várias esposas pelas mesmas razões. Salomão, nesse sentido, seguiu um costume comum da época.
O problema é que o rei de Israel não devia agir como os outros reis. A Lei de Deus já tinha orientações claras: o rei não devia multiplicar mulheres para si (Deuteronômio 17:17). Enquanto outros reis seguiam os costumes do seu tempo, o rei de Israel tinha um padrão diferente a cumprir e foi justamente aí que Salomão falhou.
A proibição que Salomão ignorou
Antes mesmo de Israel ter um rei, Deus já tinha dado, por meio de Moisés, orientações claras sobre como esse rei deveria viver.
Em Deuteronômio 17:14-20, quando o povo ainda nem sabia quem seria o primeiro rei. Nesse texto, aparecem três alertas importantes: o rei não devia multiplicar cavalos, para não confiar apenas na força militar; não devia acumular muita prata e ouro, para não depender das riquezas; e não devia multiplicar mulheres, para não desviar o coração.
Salomão fez exatamente o contrário nas três áreas. Ele adquiriu muitos cavalos, vindos do Egito (1 Reis 10:26-29), acumulou grandes quantidades de ouro (1 Reis 10:14-22) e teve mais mulheres do que qualquer outro rei (1 Reis 11:3). Assim, quebrou todas as orientações dadas por Deus aos reis de Israel. Entre essas falhas, a mais grave foi a última.
A própria Lei explica o motivo: “para que o seu coração não se desvie” (Deuteronômio 17:17). Não era apenas uma regra sobre casamento, mas um alerta sobre influência. As pessoas mais próximas acabam por moldar as nossas escolhas. Um rei cercado por muitas mulheres de diferentes crenças teria dificuldade em permanecer fiel a um só Deus.
Salomão sabia disso. Como filho de Davi, conhecia a Lei e, no início do seu reinado, até pediu sabedoria a Deus para governar (1 Reis 3:9). Ainda assim, ao longo dos anos, foi tomando decisões que o afastaram dessas orientações. A sua queda não aconteceu de repente, mas foi resultado de escolhas repetidas ao longo do tempo.
As consequências de ter se casado com tantas mulheres
O Senhor irou-se contra Salomão, porque o seu coração se desviara do Senhor, Deus de Israel...
Então o Senhor disse a Salomão: "Já que essa é a sua atitude e você não obedeceu à minha aliança e aos meus decretos, que lhe ordenei, certamente tirarei de você o reino e o entregarei a um dos seus servos.
No entanto, por amor de Davi, seu pai, não farei isso enquanto você viver. Eu o tirarei das mãos do seu filho. Mas não tirarei dele o reino inteiro; eu lhe darei uma tribo por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi."
- 1 Reis 11:9-13 NVI
A decisão de Deus foi séria, mas não deixou de mostrar misericórdia. Por causa da promessa feita a Davi, de que a sua descendência continuaria a reinar (2 Samuel 7:12-16), Salomão não perdeu o trono enquanto viveu. Além disso, o reino não foi totalmente retirado da sua família.
Depois da sua morte, o filho de Salomão ficou apenas com parte do reino. A tribo de Judá, junto com Benjamim, continuou sob o seu governo. As outras dez tribos foram entregues a outro líder.
Quando Salomão morreu, Roboão tentou reinar, mas logo enfrentou uma revolta. As dez tribos do norte rejeitaram o seu governo e fizeram Jeroboão rei (1 Reis 12:16-20). Assim, o reino que antes era unido dividiu-se em dois: Israel ao norte e Judá ao sul, onde ficava Jerusalém e o templo.
Essa divisão durou muitos anos, trouxe conflitos entre os dois reinos e nunca mais foi totalmente revertida até ao exílio. Ainda durante a vida de Salomão, Deus já tinha permitido que surgissem adversários contra ele, como Hadade, o edomita, e Rezom, da Síria (1 Reis 11:14-25), mostrando que as consequências das suas escolhas já estavam a começar.
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O que a história das mulheres de Salomão nos ensina
A história de Salomão não é, no fundo, sobre poligamia. É sobre influência e escolhas. Ele não perdeu a fé de repente nem foi enganado por um único falso profeta. A mudança aconteceu aos poucos, ao viver rodeado de pessoas que adoravam outros deuses. Cada casamento com uma mulher estrangeira foi um passo nessa direção, e, quando percebeu, o seu coração já estava afastado de Deus.
A pergunta que aparece em Deuteronômio 17 não era complicada: o rei estaria disposto a colocar Deus acima das suas alianças? Essa questão continua atual, mesmo que hoje apareça de outra forma. As pessoas com quem convivemos de perto influenciam aquilo que valorizamos e acabamos por amar. Por isso escolher bem quem está no nosso lado é tão importante.
Salomão podia fazer alianças políticas com outros povos. O problema foi transformar essas alianças em relações tão próximas que os deuses desses povos passaram a entrar no seu palácio e, aos poucos, no seu coração.
A parte mais dura desta história é perceber que conhecimento não protege automaticamente contra erros. Salomão foi considerado o homem mais sábio do seu tempo, conhecia a Lei e chegou a ter encontros diretos com Deus (1 Reis 11:9). Mesmo assim, acabou por se afastar d'Ele. Isso mostra que sabedoria, por si só, não é suficiente para evitar quedas.
O próprio Salomão escreveu em Provérbios 4:23: “Acima de tudo, guarde o seu coração, porque dele depende toda a sua vida.” Ele sabia disso, mas não aplicou até ao fim.
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